Precisando registrar esse valor como salário integral dos médicos, Barichello disse ter esbarrado na determinação do inciso 19 do artigo 37 da Constituição Federal de que a remuneração dos servidores públicos não pode exceder, em âmbito municipal, o subsídio do prefeito. 'Houve um impasse', sustentou. 'A gente não podia perder as equipes.' São três equipes, cada uma com médico, dentista, enfermeira, auxiliar de enfermagem e seis agentes. Elas atendem o município que tem 8.069 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Barichello, o foco da discussão não deveria ser o salário, mas a continuidade do serviço. 'Sou prefeito reeleito, este é meu último ano, não arrumaria uma polêmica pelo salário', acentuou. 'Representa que é um aumento grande porque o salário é baixo.' De acordo com ele, trata-se apenas de um 'ajuste técnico'. 'O pessoal não se atentou, mas todos os municípios serão cobrados para essas regularizações.' O prefeito adiantou que, na próxima semana, deve ser lançado edital para teste seletivo e contratação dos profissionais para 40 horas semanais, recebendo R$ 12 mil.
O vereador Fernandes Fracasse (PP) foi um dos que votaram contra o reajuste salarial. Ele disse que pediu para assessores jurídicos estudarem a questão, pois pretende levá-la ao Ministério Público. 'A alegação de que não poderia contratar os médicos é só para enganar a torcida', afirmou. 'Acho que R$ 7 mil para o prefeito é um bom salário.' Segundo ele, os vereadores recebem R$ 1.281.06 líquidos. Fracasse disse que uma sessão extraordinária foi convocada para terça-feira passada, 24 horas antes de ser realizada, e que ele só tomou conhecimento do projeto no dia da votação. A segunda foi ontem, 8. 'Não dá para engolir', lamentou.