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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


Clubes do Rio reafirmam: vão negociar cotas de TV sem o Clube dos 13

Clubes assumirão negociação de direitos de transmissão em busca de valorização proporcional à audiência

Reunião clubes do Rio (Foto: Paulo Sergio)Presidentes não descartam o rompimento com o Clube dos 13 no futuro (Foto: Paulo Sergio)
LANCEPRESS!
Publicada em 24/02/2011 às13:01
Em coletiva realizada nesta quinta-feira em um hotel na Barra da Tijuca, os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio - Roberto Dinamite do Vasco, Maurício Assumpção do Botafogo, Patrícia Amorim do Flamengo e Peter Siemsen do Fluminense - reafirmaram que o Clube dos 13 não está mais autorizado a negociar os direitos de transmissão em seu nome, mas deixaram claro que não estão se desfiliando da instituição. Na quarta-feira os clubes já haviam emitido nota oficial anunciando a posição.
- Se alguma emissora de TV ou veículo de comunicação quiser o direito de transmitir os jogos de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco a partir de 2012, terão que nos procurar. O Clube dos 13 não pode mais falar em nosso nome. Isso é definitivo - anunciou Maurício Assumpção.
Porém, o estatuto da entidade prevê que se possa negociar pelos clubes, enquanto não houver desfiliação formal.
- Nenhum estatuto pode ser maior que a Constituição, e estamos plenamente amparados pelos nossos respectivos departamentos jurídicos - sentenciou Assumpção.
A posição conjunta entre os quatro clubes do Rio não representa um racha no momento, mas a possibilidade de Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense saírem no futuro ainda existe.
- Se isso pode acontecer no futuro? Talvez. Mas não estamos preocupados com isso agora. Estamos apenas criando uma equipe técnica para buscar o melhor para o futebol do Rio. Não estamos saindo do Clube dos 13. Mas eu enviei uma carta ao presidente Fábio Koff me retirando da comissão a qual eu representava os clubes do Rio - explicou Assumpção.
A presidente do Flamengo, Patricia Amorim, que faz parte da diretoria do Clube dos 13, reforçou a postura adotada pelo presidente do Botafogo:
- Não há interesse de se romper com o Clube dos 13. O Rio, hoje, consegue perceber essa união, que somos mais fortes juntos, deixando as diferenças para dentro do campo. Mas fora dele, o coletivo precisa prevalecer.
Modelo carioca
A partir de agora, cada clube formará nos quadros internos duas equipes técnicas para conduzirem as negociações: uma jurídica e outra comercial e de marketing.
- A questão dos valores para cada um tem que ser embasada em critérios técnicos. O que vamos fazer é calcular a média de audiência de cada clube nos últimos cinco anos e daí poderemos tirar alguma conclusão de quanto cada um vai pedir. E, mais uma vez, volto a dizer que nossa escolha foi puramente comercial, e não política - informou o presidente do Fluminense, Peter Siemsen.
A divisão atual das cotas entre os clubes foi o estopim da rebelião para Fluminense e Botafogo. Os dois se encontram na terceira faixa de recebimento da divisão dos direitos de televisão.
- Mudar isso dentro do Clube dos 13 é muito difícil. Queremos que haja parâmetro nessa divisão, coisa que não existe hoje. Sabemos que nossas torcidas têm suas regionalizações, que temos alcance nacional - completou Maurício Assumpção.
A dívida dos cariocas com a entidade foi bastante martelada na quarta-feira, dia em que os cariocas anunciaram suas posições. O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, que faz parte da atual comissão de finanças que conduz a negociação do C13 para o contrato de televisão, disse que, somados, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco devem R$ 60 milhões.
- Eu não sabia que o Clube dos 13 era uma entidade financeira. O que há são adiantamentos de cotas das quais temos direito a receber para o ano de 2011, que são feitos através de bancos dando como garantia os recebíveis do C13 - disse, em tom de ironia, Assumpção.
A entrevista coletiva terminou com um grande aperto de mão entre os quatro cartolas cariocas, representando uma união recém-concebida.

Leia o comunicado de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco:
"Os quatro clubes de maior torcida do Rio de Janeiro se reuniram no último dia 22 de fevereiro e decidiram anunciar a decisão conjunta de assumir uma posição independente ao Clube dos 13, em especial no que se refere às movimentações relativas aos direitos de transmissão das competições de futebol em nosso país.

Gostaríamos de adicionar ainda que, por vezes, questões específicas como essa, criam condições para a ampliação da reflexão relacionada aos aspectos que unem Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense por via dos seus amplos interesses em comum.

O novo estilo gerencial adotado pelos clubes de futebol, que em sua maioria tem buscado conciliar a pressão por resultados com a racionalidade gerencial e administrativa, o estabelecimento de um calendário permanente pela CBF e a crescente atratividade das competições, vem gerando um inegável e crescente aumento da credibilidade do produto futebol em nosso país.

O aumento das receitas obtidas através da comercialização dos direitos de transmissão, bem como a expressiva valorização de outros ativos, tais como patrocínio nos uniformes, propriedades publicitárias e licenciamento de produtos, inegavelmente rentabilizados pela TV brasileira, vem fortalecendo de modo importante a receita total dos clubes.

No que tange especificamente ao Campeonato Brasileiro de Futebol, após anos de sucessivas experiências mal sucedidas, chegou-se em 2008 a um modelo de exibição que passou a incluir, além da televisão aberta, as transmissões restritas, baseadas no modelo pay-per-view. Valendo observar que este produto vem crescendo, nos últimos quatro anos, a uma taxa de mais de 25% ao ano, gerando importantes receitas adicionais para os clubes.  A preservação desse modelo de sucesso e, seu aperfeiçoamento, são de interesse das grandes marcas do futebol carioca.

Observe-se, por outro lado, que o Clube dos 13, de tempos para cá, deixou de desempenhar de modo sistemático o papel que motivou a sua criação, qual seja, o de representar ativamente os seus associados junto a todas as esferas da administração pública brasileira e, notadamente, perante os organismos responsáveis pela gestão do futebol no Brasil e no continente Sul-Americano.

É do conhecimento de todos o complexo cenário financeiro econômico em que se encontram os clubes de futebol e entendemos que um organismo representativo desses grandes clubes do país deveria liderar uma verdadeira cruzada junto ao poder público constituído com vistas a estancar a sangria provocada pelas penhoras trabalhistas, cíveis e fiscais, verdadeira chaga que tendem a inviabilizar nossas organizações. Tudo isso a despeito de ser absolutamente inadiável que assumamos uma inequívoca posição de responsabilidade perante os compromissos financeiros que assumimos em nossos clubes.

É preciso também que uma verdadeira tomada de consciência, que deveria ser provocada por uma liderança atuante e sintonizada com a realidade dos clubes, faça todos entenderem que os clubes desempenham um papel vital na formação de atletas de todas as modalidades, inclusive as olímpicas, praticando responsabilidade social, muito antes dessa nobre atividade ser prevista no planejamento estratégico das empresas.

E o que ganhamos com isso? Desarticulados, vemos nossos atletas serem levados ao fim de sua formação esportiva e cidadã por empresas que tem como único compromisso a exposição de suas marcas e produtos.

Vivemos um momento histórico. A proximidade da realização da Copa do Mundo de Futebol 2014 no Brasil não pode ser desperdiçada por nossas organizações. Os clubes precisam aproveitar esta oportunidade em que estádios por todo o pais, quer os que serão utilizadas pela FIFA, quer os outros que estão sendo modernizados, irão certamente criar condições para elevar a um patamar outrora inimaginável as receitas de bilheteria, de publicidade, de promoções e de eventos.

Todo esse ambiente irá provocar um fenômeno fundamental para os interesses dos clubes. Os valores obtidos com o patrocínio dos uniformes deverão perceber um crescimento expressivo, desde que seja adequadamente exibido pela televisão brasileira. No mesmo sentido, as receitas com a venda dos direitos de transmissão também deverão crescer significativamente.

Entendemos, portanto, que a hora é de fortalecer a lógica que vem vigorando no futebol brasileiro nos últimos anos, em especial no que diz respeito às transmissões dos nossos jogos, nos parece o melhor caminho a seguir. O bom senso há de prevalecer, sob pena de colocarmos em risco todo o avanço conquistado, resultante do esforço conjugado entre os clubes, as federações estaduais, a CBF e os nossos parceiros comerciais".

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